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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Hydrophobia – Review

Produtora: Dark Energy Digital Distribuidora: Microsoft Game Studios

Gênero: Ação e Aventura

Por Arthur Alves

Muitas mudanças e promessas andaram com esse jogo. Hydrophobia seria o primeiro jogo com uma engine inteiramente dedicada a água, a HydroEngine. Mais tarde, veio a decisão de lançar o jogo em capítulos por download. Hydrophobia colocaria tanto a Engine quanto sua produtora, a Dark Energy, no mercado.

Mas a realidade é dura, e nem sempre é boa com todos. Acertando em alguns quesitos mas errando em muitos outros, Hydrophobia se afoga no próprio hype que criou. Um jogo medíocre, que não chega a ser ruim, mas dificilmente se destacará no mar de jogos da Live Arcade, que já conta com verdadeiras pérolas. Confira agora nossa análise de Hydrophobia.

Queen of the World


Hydrophobia passa-se inteiramente no navio-cidade Queen of the World. Carregando a promessa de um futuro melhor, resolvendo o problema da superpopulação mundial, o navio virou alvo de terroristas. Esses terrorristas, sempre acabando com nosso dia. Esse grupo, chamado Malthusians (quem for atrás descobrirá que esse nome tem um significado mais profundo), segue a ideia de que para que o mundo seja salvo, as pessoas deveriam adotar a prática do suícido, pois sua existência estaria destruindo o planeta, consumindo seus recursos. Se os terroristas são adeptos a isso, porque não suicidam logo? Nos poupariam do pobre combate do jogo.

Você controla uma engenheira de sistemas do navio, Kate Wilson, que tem hidrofobia. Genial. Imagine que você morre de medo de altura e de voar, e decide virar comissário de bordo. Sim, é por aí mesmo. E se com o navio seguro já não foi uma boa ideia, depois que ele é atacado você percebe que Kate tomou a pior decisão de sua vida ao pisar naquele navio. No meio de avisos “Save The Planet – Kill Yourself” em quase todos os monitores (e paredes), você decide pará-los. Para nosso bem. Ou não.

A jogabilidade não funciona tão bem quanto poderia graças ao cover e a mira. Proteger-se nesse jogo é confuso e o cover automático muitas vezes te deixa exposto ao fogo inimigo. A mira não é prática pois a câmera afastada atrapalha e muito, e o “zoom” deixa o movimento da mira muito devagar para encontros a curta e média distância. Há também momentos de exploração do cenário, com Kate dependurando-se em canos, vigas, vãos nas paredes, etc. O método de pular de uma viga a outra é estranho, e faz o jogador errar alguns pulos teoricamente fáceis.

Tudo isso com animações não suaves, principalmente na mudança de movimento, deixando a experiência de jogar Hydrophobia mecânica demais, tirando a sensação de estar controlando um ser humano. Uma das coisas mais interessantes era a possibilidade de brincar com o medo da água de Kate, mas foi uma chance mal aproveitada. O máximo que acontecerá é uma tela com saturação menor e com alguns borrões nos cantos quando a sala encher de água. Um momento “I see dead people” seria interessante, visto que a história deixa no ar que a causa para o medo de Kate foi um acidente fatal com água.

Claustrofobia




Cenários são bonitos e interessantes – na primeira vez que você os vê. Não na décima quinta. Repetitivos, criam aquele pensamento de dejá vù na cabeça, não somente por parecerem, mas por serem os mesmos lugares. Kate passa algumas vezes nos mesmos lugares, e somado a grande quantidade de água nas salas do navio transformam o jogo num verdadeiro show da Hanna Barbera – sabe, aqueles com os cenários reaproveitados sendo colocados no fundo de uma perseguição.

Não somente os cenários, mas os objetivos também são. Com o passar do tempo, o ciclo “matar o cara chave, pegar o item chave, seguir as setas, procurar o código na parede e abrir a porta” fica óbvio. Observe que, apesar de ser uma quantidade até razoável de objetivos, o modo frequente e a ordem em que elas aparecem tornam-as irritantes. Hydrophobia não é exatamente longo, mas a sensação é de ser bem mais graças à essa repetição.

O modo de desafios conta com uma adição especial, que talvez possamos ver na campanha de uma futura continuação do jogo: o controle da água. Nesse modo “horde”, em que o jogador controla uma Kate com poderes sobrenaturais (que provavelmente serão mais tardes ligados ao enredo), o combate flui bem melhor, fazendo com que simples capangas deixem de ser uma irritação e sejam aniquilados de modo mais fácil (e divertido). Aqui, Kate pode criar ondas gigantes e carregar objetos imensos – para logo em seguida atirá-los em direção dos inimigos. Na campanha, isso teria sido muito bem vindo, mas difícil de aplicar, dado os cenários mais fechados que a “arena” dos desafios.

Tá dando onda



A HydroEngine, o “grande truque” de Hydrophobia, não é nada mal. Mas a água poderia ser bem melhor. Apesar de existir a interação entre água e cenário, notalvelmente quando abre-se uma porta entre salas com diferentes níveis de água, objetos de pequeno porte e os personagens parecem não existir para ela. O visual em si da água é insatisfatório, e dá uma visual de geração passada quando a água está parada. Para um jogo que queria ser o divisor de águas (trocadilho não-intencional) das águas em jogos, Hydrophobia está longe de ser surpreendente – mas seu conceito e engine tem potencial, só precisam de mais tempo para serem trabalhados.

As animações, como já foram citadas, muitas vezes “pulam” movimentos e a transição entre ações diferentes é estranhamente… não natural. Há alguns anos, isso não faria muita diferença (provavelmente), mas depois de jogos como Uncharted e Assassin’s Creed, é algo que se nota facilmente. A sincronia labial também poderia ser melhor.

O resto do aspecto gráfico do jogo é mediano, mas razoavelmente bonito pensando-se que é um jogo da Live Arcade. O som do jogo é composto por músicas que não se destacam mas criam os momentos de tensão ou ação quando a necessidade chama. Dublagens são razoáveis, e a conversa frequente entre Kate e seu amigo Scoot não deixam o jogador pegar no sono. De um modo geral, a parte sonora do jogo não fede nem cheira, e não há muito o que falar disso.

Conclusão



Quando jogos sofrem grandes mudanças durante sua produção, o produto final sentirá e refletirá isso. Alan Wake seria open-world, não foi, mas os cenários extensos e a capacidade de renderizar grandes áreas continuam lá. Hydrophobia, em vez de ganhar alguma característica com a decisão de ser lançado em capítulos por download, pode ter acabado com menos. A HydroEngine ainda não está em todo seu máximo, mandando algumas ondas “quadradas” de vez em quando, a jogabilidade e animações ainda não estão refinados e o combate está longe de ser robusto. Pressa para o lançamento? A questão é que, apesar de ser mediano no conjunto, o jogo da Dark Energy apresenta bastante potencial. Porém, no momento, talvez não queira embarcar no Queen of the World.


como visto em GAMUS